Apresentação

O elogio da ciência não se reduz a uma apologia. Por isso, sua melhor defesa, sobretudo em momentos de negacionismo, deve ser acompanhada da compreensão crítica de seus limites e de sua importância para o desenvolvimento social e a consolidação das democracias. Não basta, pois, um discurso iluminista.

Esse é o contexto desta proposta: (i) o paradoxo de desenvolvimentos científicos poderem associar-se a crises civilizatórias, como em momentos de totalitarismo ou mesmo agora, quando o volume de informações e a capacidade técnico-científica alcançam dimensões outrora inimagináveis; (ii) o claro desafio de que ciência e tecnologia não têm alcançado, sozinhas, capacidade argumentativa para superar desacordos que esgarçam a esfera pública — conflitos intensos que, envolvendo valores e interesses, podem dividir a sociedade, e alguns talvez insolúveis, por comprometerem a própria racionalidade.

Com a ciência e contra a ciência, a democracia vê-se ameaçada, enfraquecendo-se o discurso científico-racional em tempos de pós-verdade e pela ambiguidade de muitas de suas aplicações. Nosso projeto tem um fio condutor: a tese de que a investigação científica é decisiva ao uso público legítimo da razão e ao destino da humanidade.

Especificamente, o labor científico (no qual conhecimento e evidência podem coincidir) associa-se à sobrevivência da sociedade democrática, na qual a palavra guarda precedência sobre outras formas de poder.

Tal hipótese de trabalho multidisciplinar enfatiza um aspecto positivo, a ser detalhado e traduzido em políticas públicas relativas à qualificação cultural e científica dos cidadãos para a democracia. Assim, com equipe multidisciplinar, investigaremos características, meios e estratégias para um letramento científico de interesse público, acoplados aos canais do ensino de ciências formal e não-formal, de modo que o horizonte da ciência possa ensejar um combate eficaz ao obscurantismo.


Quem Somos

O INCT Ciência e Democracia é constituído por uma grande equipe com significativa diversidade de inserção institucional e geográfica, bem como por distintas formações profissionais e trajetórias de pesquisa. Tal diversidade é, aliás, o desejável, sendo essencial à criação de instâncias que permitam o fluxo regular de informações e reflexões, bem como o debate sobre elas. Ao mesmo tempo, essa diversidade encontra uma sólida coesão na temática que estrutura o trabalho do Instituto, que se desdobrará em múltiplas e bem coordenadas atividades.

O projeto resulta da colaboração de 71 docentes pesquisadores de vários estados do Brasil (dos quais 30 são bolsistas de produtividade) e 24 destacados professores de instituições estrangeiras, totalizando 95 pesquisadores, aos quais estão vinculados 100 estudantes de pós-graduação.

Comitê Gestor

João Carlos Salles Pires da Silva (UFBA)
http://lattes.cnpq.br/0484066011464161

Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa (UNICAMP)
http://lattes.cnpq.br/6595967944149712

Antonio Augusto Passos Videira (UERJ)
http://lattes.cnpq.br/1855174964691600

Charbel Niño El-Hani (UFBA)
http://lattes.cnpq.br/8022297490892415

Climério Paulo da Silva Neto (UFBA)
http://lattes.cnpq.br/4748735677176024

Ivã Gurgel (USP)
http://lattes.cnpq.br/2315844649289135

Maria Margaret Lopes (UNICAMP)
http://lattes.cnpq.br/8046282601245273

Linhas de Atuação

Linhas de Atuação

Controvérsias científicas

As controvérsias científicas e suas consequências para o sistema democrático. As condições de produção da ciência e as ameaças totalitárias à democracia. Racionalidades científicas e crises civilizatórias.

A linha de pesquisa investiga o papel das controvérsias nas ciências contemporâneas e suas implicações para as sociedades democráticas. Examina as condições de produção do conhecimento, as relações entre ciência, comunicação e políticas públicas e os contextos que favorecem a disseminação do negacionismo, especialmente em cenários de crise de confiança e desinformação. Também discute as conexões entre racionalidades científicas e crises civilizatórias, aborda o debate sobre o projeto moderno de educação em articulação com a ideia de uma civilização da ciência na contemporaneidade e analisa como a educação em ciências pode contribuir para o fortalecimento da democracia e da compreensão pública da ciência.


Ciência na Modernidade

Os projetos sociais da Modernidade e suas bases científico-epistemológicas. O problema da natureza e do valor do conhecimento em geral e do conhecimento científico.

A linha de pesquisa investiga as bases científico-epistemológicas dos projetos sociais da modernidade, examinando como, desde os séculos XVII e XVIII, consolidou-se a associação entre progresso científico e progresso social. Analisa a constituição de novas formas de organização do conhecimento, as transformações institucionais e as tensões entre diferentes visões de mundo. Nesse aspecto, compreende a ciência como parte de processos mais amplos de reorganização da vida social e intelectual e discute os fundamentos da racionalidade científica e seu papel no espaço público.


Ciências naturais e sociedade

As relações entre valor e natureza nas ciências da natureza em perspectiva histórica.

A linha de pesquisa investiga, em perspectiva histórica, as relações entre valor e natureza nas ciências da natureza, analisando como diferentes concepções científicas incorporam dimensões sociais, culturais, políticas e epistemológicas. Parte do estudo de controvérsias, da formação de tradições científicas e das formas de valoração da natureza, com atenção tanto aos contextos de produção do conhecimento quanto às suas transformações ao longo do tempo. A linha explora ainda como esses valores se manifestam na comunicação, na educação e na circulação do conhecimento científico, o que inclui a análise de linguagens, representações e saberes produzidos em diferentes contextos.

Técnica, ciência e sociedade

As raízes históricas dos sistemas de ciência e tecnologia, com destaque para o contexto pós-Guerra Fria. História social da ciência e teoria crítica. Elogio e crítica da ciência e da técnica.

A linha de pesquisa investiga as raízes históricas dos sistemas de ciência e tecnologia, com ênfase no período contemporâneo e no contexto pós-Guerra Fria. A partir de uma abordagem de história social da ciência e da teoria crítica, analisa as relações entre ciência, técnica e sociedade, incluindo seus vínculos com processos políticos, institucionais e geopolíticos. Analisa ainda as tensões entre desenvolvimento científico, regimes de poder e contextos de restrição democrática. A linha também examina as implicações éticas e sociais da ciência e da tecnologia e discute temas como comunicação pública do conhecimento e desigualdades no acesso e na circulação de saberes.

Ciência e relativismo cultural

A elaboração de perspectivas axiológicas e epistemológicas para o conhecimento a partir de práticas e locais não hegemônicos. O debate sobre perspectivismo e relativismo cultural.

A linha de pesquisa investiga a elaboração de perspectivas axiológicas e epistemológicas a partir de práticas e contextos não hegemônicos, com foco no debate entre perspectivismo e relativismo cultural. Analisa criticamente a ideia de um conhecimento universal e objetivo, examinando como diferentes sistemas de conhecimento se constituem, legitimam-se e se colocam em relação na esfera pública, especialmente em contextos de diversidade cultural e transformação social. De modo mais amplo, a linha também discute as relações entre valores, formas de vida e produção do conhecimento e explora maneiras de repensar os fundamentos da ciência e seus discursos de autoridade.

Educação científica, história e democracia

Ciência, história e cultura: a formulação de perspectivas democráticas para a educação em ciências.

A linha de pesquisa investiga como as relações entre ciência, história e cultura podem fundamentar perspectivas democráticas para a educação em ciências. A partir de abordagens históricas e filosóficas, analisa a produção do conhecimento científico em seus contextos sociais e culturais, com atenção a controvérsias científicas, desigualdades e processos de exclusão, bem como aos desafios colocados pela desinformação e pela circulação de saberes na sociedade contemporânea. Uma direção que a linha explora é a da incorporação desses elementos à formação de professores e às práticas educacionais, promovendo uma educação científica comprometida com a diversidade, a equidade e a justiça social.

Comunicação científica democrática

A comunicação da ciência em tempos de controvérsias científicas. Políticas públicas contra o negacionismo e o obscurantismo.

A linha de pesquisa investiga a comunicação da ciência em contextos de controvérsias científicas, com ênfase no enfrentamento do negacionismo e do obscurantismo. Analisa o papel social e político dos cientistas, as formas de produção e circulação da comunicação científica e suas implicações para a confiança pública na ciência, principalmente em cenários marcados pela desinformação. A linha também aborda a alfabetização científica midiática e sua inserção na formação de professores e na educação básica, busca, assim, fortalecer a capacidade crítica dos cidadãos diante da circulação de informações científicas.

Publicações [em construção]

Artigos

Never touched a board? We’ll teach you ocean safety, paddling, popping up, and catching your first wave.

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Relatórios

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Atividades e Eventos
[Em construção]

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